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Comunicação em projetos: competência, mais que conhecimento

A comunicação, mais que uma área de conhecimento, é uma competência indispensável ao gerente de projetos. Essa afirmação a princípio pode parecer óbvia, mas o convite aqui é o de aprofundarmos um pouco mais no entendimento do que é “competência” no âmbito da comunicação em projetos.

O termo “competência” abrange três dimensões interativas e indissociáveis: o conhecimento, as habilidades e a atitude.

communication

  1. Conhecimento:

    A grande maioria dos gerentes de projetos carrega em sua bagagem um profundo conhecimento técnico dentro de suas especialidades. A questão que se coloca é: que grau de conhecimento sobre comunicação esses GP’s buscam e realmente detêm, face ao que concordamos anteriormente sobre sua importância?

    Certamente todos nós já fomos protagonistas de projetos com conteúdo, escopo e objetivos magníficos, mas que, por falta de uma comunicação eficaz, foram tidos como insignificantes, controversos ou, simplesmente, foram descontinuados ou desviados de suas premissas originais. Ou o contrário: projetos a princípio irrelevantes ou conflituosos que, graças à qualidade da comunicação interna e externa, ganharam corpo e surpreenderam positivamente suas partes interessadas. Em suma: “Um mau projeto bem comunicado pode se transformar num bom projeto; um bom projeto mal comunicado acaba se transformando num mau projeto…”

    Fazendo um paralelo, no final da década de 80, quando foram criadas as normas ISO 9000, gerentes de projeto não sabiam nada sobre os conceitos de sistemas de gestão da qualidade, controle de processos, melhoria contínua etc. No entanto hoje, a grande maioria deles sabe muito a respeito.

    No mundo da tecnologia da informação em que vivemos atualmente, dominar conhecimentos sobre comunicação significa ir muito além do uso da intuição e dos dons inatos como se fazia antigamente com a gestão da qualidade, por exemplo.

    Diante disso, a questão que se coloca em seguida é como adquirir esses conhecimentos. Cursos, livros, palestras e outros meios convencionais de aprendizagem ajudam muito. Outro caminho é a proximidade com especialistas e com as áreas de comunicação e marketing da Organização. Melhor ainda é ter um deles na equipe do projeto e, logicamente, dar-lhes ouvidos.

  2. Habilidades:

    Habilidade é experiência. Adquire-se fazendo, pondo em prática. A principal habilidade do gerente comunicador é a de “pensar como se fosse o outro”, depois de identificadas todas as partes interessadas de seu projeto. Cabe aqui o alerta de que elas são sempre muito mais do que imaginamos inicialmente, daí a necessidade de fazê-lo de forma estruturada, como recomendado pelo PMBOK®.

    O passo seguinte é responder, ou quase que “adivinhar”: quais são seus reais interesses, necessidades e expectativas, explícitas ou implícitas? O que dizem que querem e o que realmente querem, mesmo sem dizer? O que de fato querem até mesmo sem terem a percepção daquilo que querem? Isso deve ser feito lembrando sempre que o segredo da boa comunicação reside via-de-regra na capacidade de atender aos desejos velados e subjacentes das pessoas em relação aos projetos e à organização.

    Somente após estarem cuidadosamente bem respondidas essas questões, traçam-se as estratégias e o plano de comunicação para influenciar, engajar, motivar e conquistar a adesão de todos os envolvidos. Depois disso, mãos à obra! A tarefa é por em prática, fazer acontecer e, principalmente, estar atento aos resultados, pois tudo isso é muito dinâmico e mutável.

  3. Atitude:

    A atitude é a manifestação de um intenso querer; na crença de que é possível e na busca deliberada das experiências e dos conhecimentos necessários e também no desejo de transcender as habilidades técnicas, adquirindo as chamadas “soft skills”, ou seja, a competência de lidar com pessoas e seus anseios.

    Acredite: 90% do tempo do gerente de projetos, ao contrário dos membros das equipes, devem ser dedicados à comunicação, em suas diversas formas: verbal, corporal (paralinguística), escrita ou simbólica, lançando mão dos diversos meios, métodos e tecnologias atualmente disponíveis.

    Trata-se de uma ruptura com a tão falada orientação pela “fazeção” e da adoção de uma nova atitude, voltada para a interação, integração e, enfim, para a comunicação eficaz. O desafio está posto e o resultado, com certeza, será o sucesso.

Roberto Mingroni Roberto Mingroni – É consultor em Desenvolvimento organizacional, professor no curso de pós-graduação “Especialização em Gestão de Projetos na Construção”, da FDTE/USP, consultor e professor em programas de treinamento e desenvolvimento “in company” pela Fundação Vanzolini e consultor em Gerenciamento de Projetos pela Vizca Consultoria.
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